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Design social: projectar com as pessoas, não para elas

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Design social: projectar com as pessoas, não para elas

Design social é a designação usada para projectos em que o processo envolve directamente as pessoas afectadas pela solução. Em vez de um cliente que encomenda e um designer que entrega, existe um grupo que participa na definição do problema e nas decisões ao longo do caminho.

A diferença não é apenas de método. Muda quem tem autoridade para decidir o que é um bom resultado. Em design convencional, o critério é definido por quem encomenda; em prática social, tem de ser negociado com quem vive a situação, e essa negociação é parte do trabalho e não uma formalidade inicial.

O que distingue prática social de serviço

Num serviço de design, existe um problema formulado, um prazo e um interlocutor. Numa prática social, o problema costuma estar mal formulado, os prazos são mais longos e os interlocutores são vários, com interesses diferentes. Adaptar as ferramentas do serviço a este contexto produz resultados frágeis.

O trabalho começa geralmente por escuta prolongada e por formulação conjunta do problema. Nesta fase, o designer contribui com perguntas e não com propostas visuais. Apresentar soluções demasiado cedo é o erro mais comum e o que mais rapidamente encerra a participação.

Quem decide e como se registam as decisões

Numa prática social é indispensável que as regras de decisão sejam explícitas. Quem aprova a versão final? O grupo, a instituição que financia ou o designer? Sem resposta clara, o processo gera expectativa de participação que depois não se cumpre, e a frustração é maior do que se não tivesse havido participação nenhuma.

Registar as decisões é tão importante como tomá-las. Notas de sessão com quem esteve, o que foi proposto e o que ficou decidido permitem prestar contas no fim e sustentam o trabalho de quem venha depois. O registo protege o grupo e protege o projecto.

Ferramentas: mapas, protótipos e oficinas

As ferramentas mais úteis em prática social são simples e visuais. Mapas desenhados em conjunto, maquetas em papel, sinalização provisória testada no local e oficinas de discussão com materiais acessíveis. O objectivo é tornar o problema manipulável por quem não tem formação técnica.

Protótipos rápidos permitem testar antes de investir. Uma sinalização pintada no chão, um banco provisório, uma placa temporária: cada ensaio dá informação que nenhuma reunião fornece. O protótipo não é uma versão pior do resultado final; é um instrumento de aprendizagem com prazo próprio.

Tempo, confiança e ritmo do processo

Projectos desta natureza exigem tempo que os concursos raramente preveem. Construir confiança com um grupo leva semanas, e a participação tende a aumentar depois do primeiro resultado visível. Concentrar tudo nas primeiras semanas produz adesão inicial e abandono a seguir.

Convém por isso calendarizar encontros regulares até ao fim, incluindo a fase de execução. Muitos processos participativos morrem quando o desenho fica fechado e a obra começa, precisamente no momento em que a presença das pessoas faria mais diferença para o resultado material.

Perguntas antes de iniciar uma prática social

  • O problema foi formulado em conjunto ou chegou já definido?
  • Quem tem autoridade para aprovar a versão final?
  • Como serão registadas as decisões e as sessões?
  • Existe tempo previsto para além da fase de desenho?
  • Que capacidade fica no grupo depois do projecto terminar?

Serviço de design versus prática social

AspectoServiço de designPrática social
ProblemaFormulado por quem encomendaConstruído em conjunto
DecisãoCliente aprovaRegras acordadas e públicas
DuraçãoPrazo definido à partidaMais longa e menos previsível
ResultadoProduto entregueProduto, processo e capacidade
RegistoRelatório de entregaNotas de sessão e prestação de contas
AvaliaçãoCumprimento do pedidoEfeito no grupo e no território

Como avaliar o resultado

A avaliação deve considerar três planos. O produto: funcionou para o uso previsto? O processo: quem participou, quem decidiu, o que se registou? O efeito: que capacidade ficou instalada no grupo para continuar a intervir? Os dois últimos planos são frequentemente ignorados e são os que determinam o valor duradouro.

Vale também distinguir resultado de intenção. Projectos de prática social têm frequentemente relatórios que descrevem boas intenções e não o que aconteceu de facto. Um balanço honesto declara o que foi abandonado, por que razão e com que consequência para o grupo envolvido.

Erros recorrentes

Três erros aparecem com regularidade. O primeiro é usar a participação como validação de uma proposta já pronta. O segundo é abandonar o grupo quando o financiamento termina. O terceiro é substituir o resultado concreto por documentação sobre o processo, deixando por resolver aquilo que motivou o projecto.

Um quarto erro é estético: assumir que trabalhar com comunidades significa produzir objectos pobres. Qualidade técnica e participação não se opõem. Quando se opõem, é por falta de recursos e de tempo, e não por exigência do método.

Design social mede-se por três resultados: o objecto, o processo e a capacidade que fica no grupo. Formular o problema em conjunto, explicitar quem decide, registar as sessões e manter presença até ao fim são as condições mínimas para que a participação não seja apenas retórica.

Nota. Esta revista é informativa. Datas, programações, prémios e dados citados devem ser confirmados junto de quem os organiza.

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